segunda-feira, 27 de julho de 2009

Wellington e Rotorua

Ontem, passamos o dia em Wellington, capital do pais, que eh pequena porem decente. Wellington fica toda ao redor de uma baia, e as casas e construcoes, de estilo bem ingles, sobem as colinas.
O centro, apesar de moderno e muito bem organizado, eh tranquilo e surpreendemente pouco movimentado para uma capital. As pessoas sao extremamente gentis e muito elegantes. A rua eh cheia de jovens estilosos, japonesinhos que parecem saidos de um manga. Oferecem ajuda sem a gente precisar pedir quando veem a gente com a cara de boba que eu faco tentando entender o mapa.
Ai em cima, esta o museu Te Papa Tongarewa, que significa, Nossa Heranca, em Maori. Eh um museu sobre tudo que envolve a Nova Zelandia, desde a parte geografica, a fauna e a flora ate a arte contemporanea do pais, passando pela parte mais interessante, a historia e a cultura dos povos maori que habitaram essa terra antes dos ingleses. Dos paises colonizados que eu conheco, esse eh sem duvida o que faz mais forca para preservar e valorizar a cultura dos povos aborigines e o museu eh um excelente testemunho disso, aqui tem ate uma tv falada em maori.




E por falar em Maori, estamos na parte mais Maori do pais, Rotorua. Eh a regiao central da ilha norte, uma cidade de 68 mil habitantes. O interessante daqui eh justamente a forca da cultura maori e, como voces podem ver nas fotos, uma zona de atividade vulcanica e geotermal. Isso da a cidada uma caracteristica interessante: um cheiro forte de esgoto, que a gente comecou a sentir quando o aviao estava aterrisando.


A terra aqui respira, por todo lado vemos nuvens de fumeca fedida saindo do chao. Ha vulcoes em repouso, mas nao extintos, e muitas aguas termais e piscinas em antigas crateras com cores variadas. Passamos o dia visitando varios parques geotermais, vendo pocas de lama, piscinas multicoloridas e geiseres. As piscinas fervem com temperaturas que chegam acima de 100 graus, alias, esse riozinho ai em cima ferve, borbulha, da para cozinhar tranquilamente nele. As piscinas coloridas sao sulforosas e acidas, a azul, chamada de Cratera do Inferno eh acida como agua de bateria. Os povos maoria jogavam os inimigos la dentro quando queriam "exemplar" um fregues. Ui.





Um geiser eh esse esguicho d'agua quente que sobe periodicamente da terra. Esse ai chama-se Lady Knox e todo dia, as 10:15 ele lanca um jato de 21 metros d'agua. Foi bem legal.




Hoje seguimos para Auckland e comecamos os preparativos para retornar. Ja ta na hora de voltar pois temos muitas saudades, mas essa viagem esta ficando inesquecivel, vimos de tudo um pouco, de grande metropoles modernas a imensas planicies sem ninguem, de fiordes e montanhas nevadas a rios vulcanicos e crateras acidas, tubaroes, baleias, cangurus, pinguins, coalas, e muitas, muitas mesmo, ovelhas. Percorremos o pais do extremo sul ao extremo norte, e valeu a pena, por aqui tem de um tudo, parece a feira de Caruaru.
Para mim, tambem eh muito bom, e deixa grandes saudades os dias passados juntinho da minha mae. O que a gente deu de risada nao foi pouco e tambem nao foram poucas as vezes que ficamos sem fala, de boca aberta admirando tudo.
Agora, voltando a vida normal, depois de 30 horas de voo e aeroporto, fico sonhando com a chance de repetir tudo, em outros lugares, junto de pessoas amadas.

domingo, 26 de julho de 2009

TranzCoastal e Ferry para Wellington











As fotos a gente poe depois!
Hoje acordamos em Kaikoura em frente a uma das vistas mais lindas que se possa imaginar: um mar muito azul, o ceu muito azul e, ao fundo, lindas montanhas geladas, azuladas de neve e gaivotas e albatrozes voando para completar.
Partimos cedo para uma longa viagem de trem pela Tranzcoastal, a ferrovia costeira que vai margeando o mar da Tasmania e passando por vinhedos, penhascos, salinas, praias lindas e, para variar, fazendas com ovelhas e vaquinhas.
Uma moca ouviu a gente falando portugues e nos abordou, ela chama-se Steph, eh neozelandesa mas tem um noivo brasileiro e passou um tempo em Itacare na Bahia, onde aprendeu um portugues razoavel. Conversamos um monte na viagem e mamae ficou bem amiga dela, foi bom porque falamos com uma pessoa daqui sobre o pais. Uma coisa engracada foi que ela se surpreendeu com o fato de sermos brasileiras e estarmos aqui e a gente falou que por todo lado que vamos encontramos brasileiros. So em Kaikoura encontramos tres, dois que trabalhavam no Cyber Cafe e um que trabalhava na estacao de trem, brasileiros nao faltam mas ela nao sabia. Eu me pergunto se eles nao ficam meio invisiveis em trabalhos subalternos de tal forma que um neozelandes acaba nao se relacionando com eles.
Essa historia de brasileiros limpando hoteis, caixas de restaurantes e garcons aos montes eh meio triste, parece que o Brasil expulsa essas pessoas, que preferem vir ficar geladas no outro lado do mundo a trabalhar miseravelmente nesses mesmos empregos no Brasil.
Na hora do almoco tomamos o ferry que vai de Picton (fim da linha do trem) ate Wellington, que eh a capital da Nova Zelandia, mas tem apenas 370 mil habitantes e chega a ser menor que Christchurch.
O caminho tambem eh lindo, pois saimos atraves de um longo fiorde, com muitos penhascos, desfiladeiros, farois e casinhas suspensas na montanha. Vimos tanta coisa bonita e diferente do nosso mundo que eh ate dificil digerir, da uma tontura.
Chegamos a Wellington no final da tarde e so deu para ver que eh uma cidade arrumada, limpa e com muitas casas charmosas nas encostas e colinas. Amanha vamos andar por aqui e a noite seguimos para Roturua, bem mais ao norte.

sábado, 25 de julho de 2009

Kaikoura



Hoje saimos cedo (7:00) de Christchurch com destino a Kaikoura, mais ao norte, indo de trem. Ficamos com saudades do Hotel So, um hotel super moderno e bonito em que a gente ficou em Christchurch.















O trem saiu ainda no escuro, mas logo amanheceu o dia numa regiao diferente, cheia de pastos verdes e com muitas, muitas ovelhinhas. Parecem uns floquinhos de neve enchendo as colinas, para todo lado que se olha, ovelhas.
Depois comecamos a margear a costa, com visoes lindas de penhascos e da praia. O interessante eh ver de um lado o mar azul e do outro montanhas cheias de neve. Uma paisagem muito especial e unica.

Kaikoura eh minuscula e linda. Viemos para ca para que eu realizasse um sonho de crianca: ver baleias. Assim que descemos do trem pegamos o barco na excursao para procurar baleias. Foi uma aventura, o barco balancava muito, as ondas eram bem grandes (pelo menos para mim e mamae) e depois que o barco subia nelas caia la do alto, deixando a gente com um frio na barriga. Chegando em mar alto, comecou a procura das baleias, o sujeito fica com um sonar tentando escutar as baleias de baixo d'agua. Ai falam: "Senta todo mundo, a baleia ta no sul" e saiam correndo tentando pegar a baleia, ai a baleia enganava a gente e voltava para o fundo do mar. Foi assim e eu comecei a desanimar ate que apareceu a primeira: uma baleia enorme, que ficou pertinho do barco jogando espuma no ar pelo respiro que ela tem nas costas, ai o cara fala: "prepara a foto, ela vai mergulhar" e ai eh o momento magico dela com a cauda para fora do mar.
Vimos duas baleias, o que foi um sucesso!
E ainda vimos um monte, dezenas, de golfinhos correndo, pulando e se exibindo ao redor do barco.
Foi tudo muito emocionante e eu virei criancinha de novo.
Voltando a Kaikoura, ainda fomos para o Seal Sanctuary, santuario de focas, e vimos varias, gordinhas e folgadas, dormindo ate na grama perto da praia. Elas sao fofas, mas avisos deixam claro: nao cheguem perto demais, o bicho morde.
Amanha seguimos de trem e de ferry para Wellington, a capital do pais!

Alpes do Sul


Ontem fomos fazer um passeio famoso de trem: o TranzAlpine, que atravessa o pais de leste a 0este indo de Christchurch a Greymouth entre os Alpes do Sul. Mas ai, nao rolou passeio de trem, teve uma nevasca enorme, um tempo muito ruim mesmo, e a ferrovia foi fechada. Nos colocaram para fazer a estrada paralela em um onibus. A neve era tanta que o onibus teve que colocar corrente nos pneus para subir as ladeiras. Foi uma confusao, primeiro o onibus que a gente tava nao tinha as correntes necessarias, ai mandaram a gente descer do onibus para pegar outro, eu ja tava danada com ter que ir de onibus, fiquei danada com a troca, ainda mais quando chegando ao outro onibus (lotado) minha cadeira estava quebrada e nao ficava na posicao vertical... Tinha uns velhinhos simpaticos atras da gente e eu com pena de esmagar a velhinha com a minha cadeira, ela ria um monte e eles disseram que isso era o pessimo sistema de transporte neo-zelandes, quando eu perguntei de onde eles eram, disseram em um coro ensaiadinho: Nova Zelandia, e riam...
O onibus saiu acorrentado, andando a vinte por hora, a gente se desesperou achando que ia dormir no onibus, mas depois de uma hora mais ou menos, tiraram as correntes. No fim, apesar do esquema gardenia/itapemirim o passeio foi legal, passamos por muitas montanhas geladas, cobertas de neve que pareciam de suspiro ou de glace.
Um dos pontos altos foi o Arthur's Pass, Passagem de Arthur, um grande vale entre as montanhas que foi um caminho importante de uniao das diferentes regioes do pais.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

De Queenstown para Christchurch















































Ontem viemos de onibus de Queenstown para Christchurch, uma viagem de 12 horas, tornada mais longa pelas paradas pelo caminho e especialmente por um desvio para ir a Mount Cook, um parque nacional onde fica o maior monte da Nova Zelandia, com pouco mais de 4000 metros de altura.

Quando saimos deixamos muita chuva em Queenstown, mas logo o arco-iris nas montanhas anunciou um dia azul. Quando estavamos com nossos amigos Gervasio e Glaucia, ele garantia que tinha "poderes" para segurar a chuva, mas agora sozinhas nao podiamos mas contar com a mandinga de Gervasio, entao era confiar na sorte mesmo.

A viagem eh linda dividida em tres grandes areas do pais: primeiro as montanhas do Parque Mount Cook, segundo os grandes lagos glaciais, com destaque para o Lake Pukaike e o Lake Tepauko e, por fim, as planicies de Cantebury, na parte central da ilha sul.

Na saida, ainda vimos um pouco da cordilheira conhecida como "The remarkables": as inesqueciveis. Foi ai que foi filmado o filme o Senhor dos Aneis e onde fizemos o passeio no sabado.

Algum tempo depois, passamos pelo lago Pukaike, um lago formado pelas aguas do Glaciar Tasman. O lago tem um azul unico, turquesa, meio como vidro, uma beleza espetacular. Um detalhe interessante eh que esse glaciar que alimenta o lago deve seu nome a Abel Tasman, um holandes que descobriu a Nova Zelandia e a Tasmania (tanan) e devido a visistarmos o lago conseguimos desfazer um dos grandes misterios da humanidade que nos afligia: onde fica a Zelandia? Bem, Abel Tasman eh da Zelandia, na Holanda e dai o nome.

Na hora do almoco, chegamos a Aoraki, no Parque Mount Cook. Na verdade, nos sentimos verdadeiramente no fim, ou talvez no comeco, do mundo. Depois de horas sem ver uma alma viva ou um sinal de civilizacao, chegamos no Hermitage Hotel, em frente ao Mount Cook e parece a coisa mais solitaria e remota do planeta. O hotel eh um resort de esqui, extremamente chique, mas um almoco la eh mais do que suficiente para mim, porque a natureza em volta eh selvagem e grandiosa demais e a sensacao de solidao eh intensa. Uma hora, quando parou a chuva, eu fui para fora olhar o monte e a neve que cobria tudo e acho que foi o silencio mais profundo que eu ja ouvi.

 
Depois do almoco, seguimos para o lago Tekaupo, onde fica essa igrejinha linda. Ela fica isolada, a beira do lago e foi feita como uma homenagem aos pioneiros que construiram o pais. Hoje eh um lugar muito popular para casamentos.
 
Na ultima parte do trajeto, cortamos grandes planicies, a maioria ocupada por gado, ovelhas e renas. Todos dizem que a coisa mais simbolica daqui sao as ovelhas, que esse eh um povo de pastores, e parece que eh mesmo.
 
A noite, chegamos a Christchurch. A cidade tem 370 mil habitantes e foi a primeira capital do pais. Mais sobre ela no proximo post.