Praça do Comércio com Castelo de S. Jorge ao fundo.
Fomos visitar a Baixa, região central e movimentada de Lisboa onde ficam o Rossio e a Praça dos Restauradores. É uma área antiga, mas que foi muito prejudicada no terremoto/maremoto de 1755, tendo sido reconstruída depois.
Essa praça aí embaixo, por exemplo, a Praça do Comércio, era o lugar do Palácio real desde que D. Manuel I resolveu deixar o Castelo de São Jorge no século XV para uma residência mais apropriada ao esplendor do império português. Como se vê, depois do terremoto só sobrou uma grande área aberta (junto com o palácio, uma biblioteca de 70.000 volumes foi destruída... que tristeza), que foi transformada pelo Marquês de Pombal nas portas da cidade e cercada por prédios que até hoje são repartições de governo.
Praça do Comércio e as Portas de Lisboa
Os arcos dos prédios da Praça do Comércio
Seguindo pela Baixa, fomos ao Rossio, largo grande, também em estilo pombalino, tudo reconstruído após o terremoto e de lá para a Praça dos Restauradores. É uma área bonita e muito tradicional da cidade, mas nos pareceu meio assustadora, como em geral são os centros de cidade. Pablo recebeu oferta de "erva" do pessoal na praça (e não, ele não aceitou) e nós acabamos assistindo um grave acidente de trânsito, vimos um pequeno caminhão (camião como dizem aqui) bater em um ônibus e em seguida, descontrolado, atropelar o senhor que vendia castanhas e sua carrocinha, subindo na calçada e só parando quando bateu na parede de um prédio. A gente assistiu tudo e foi muito assustador, não deu para saber como o homem ficou pois ele foi imediatamente cercado por gente para socorrer e achamos que nós só iríamos atrapalhar. Ficamos com muita pena e desejando que não tenha sido muito sério.
Ruas da Baixa com Alfama e o castelo no alto
Rossio
Praça dos Restauradores
Uma boa descoberta do passeio foi a casa do Povo Alentejano, escondida numa portinha. É um prédio todo em estilo mourisco, com um pátio interno com fonte e tudo, parecia um refúgio.
A gente amou o castelo dos mouros, em Sintra. O castelo foi construído no século IX, pelos mouros, e resistiu bravamente até ser tomado por D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, em 1147. Dizem que o cerco foi duríssimo e muito lento, com os árabes resistindo bravamente, foi preciso a ajuda dos peregrinos da segunda cruzada para fazer o esforço final de conquista. Desde então, serve de fortaleza para proteger a cristandade por uns 900 anos.
Como se não bastasse o castelo ter mais de mil anos, ele é construído num lugar que deve ter sido povoado desde de o século VI antes de Cristo e nas escavações arqueológicas recentes foram encontrados sinais de ocupação desde o neolítico, 5 milênios a.C.
O lugar é impressionante, com um monte de escadarias assustadoras, torres e muralhas, que dão vista para a Sintra lá embaixo e a toda a Serra, até se ver o mar.
As muralhas do Castelo
As tores, a gente subiu TO-DAS essas escadas até o alto. Ui!
Sintra e o Castelo Nacional de Sintra como se fossem de brinquedo lá embaixo
Uma vista geral da fortificação com o Palácio da Pena ao fundo
Outra vista, também com o Palácio da Pena
As torres no alto
Pablo lá nas alturas, esperando os mouros (ou serão os cristãos?)
No fim de semana, fugimos do trabalho para irmos à Sintra, cidade histórica a mais ou menos 45 minutos de trem de Lisboa. Conhecida como a Capital do Romantismo, Sintra é mesmo um lugar para ver lindas paisagens, viajar ao passado e ficar namorando. Lá há uma diversidade de palácios, nós visitamos 2 deles: O palácio Nacional de Sintra e O palácio da Pena.
O Palácio da Pena foi construído no século XIX sobre as ruínas de um mosteiro do século XV por D. Fernando, rei consorte, que era primo de Albert, o casou com Vitória... E o cara queria um palácio cheio de excentricidades, como se fosse um parque de diversões. O que resultou em um palácio muito interessante no alto da Serra de Sintra, mesmo que seja um pastiche de estilos arquitetônicos.
De lá fomos ao Castelo dos Mouros, que merece um post só dele (aguardem) e descemos para almoçar na vila mesmo de Sintra. O legal foi que o cara do restaurante em que a gente comeu foi super legal com a gente. Eu pedi uma opinião sobre que queijo escolher e ele fez esse pratinho com queijos portugueses para que eu pudesse provar, e explicou um por um direitinho. Dos detalhes da explicação eu não lembro, mas posso testemunhar que todos eram uma coisa divina, ainda mais com uma meia garrafa de vinho Grão Dão, direto do Alentejo.
De sobremesa, dois docinhos tradicionais de Sintra, todos dois com recheios de ovos: queijadinhas e o famoso travesseiro, hum...
Para terminar, fomos dar uma voltinha pela cidade e visitar o Palácio Nacional de Sintra, que os reis de Portugal usavam como residência de verão desde o século XIV. Esse é mais real, e mais simples também, mas é incrível com suas duas chaminés cônicas e com salas que vão acrescentando estruturas e detalhes arquitetônicos por cerca de 5 séculos.
O Palácio Nacional de Sintra
Capela de influência moura
Interior do Palácio - Quarto que pertenceu a D. Sebastião
Por esse palácio passaram vários reis, inclusive D. Pedro IV, que vem a ser D. Pedro I do Brasil, e D. Sebastião, o Oculto, o tal que sumiu na batalha de Alcácer-Quibir contra os Mouros e que até hoje tem gente esperando que volte, por exemplo, o pobre do Antônio Conselheiro. Ele dormia nesse quarto aí em cima, e até agora, ninguém desfez a cama...
Hoje fez um pouco menos de frio, o dia estava maravilhosamente ensolarado e fomos aproveitá-lo no Parque das Nações em Vasco da Gama. O complexo inclui um monte de atrações, um shopping grande, cassino, muitos jardins e passeios às margens do Tejo. As principais atrações são o Oceanário de Lisboa, o teleférico e o Pavilhão do Conhecimento. O Parque das Nações foi construído para a Expo'98 em Lisboa e hoje é uma região revitalizada e moderna da cidade.
Gare do Oriente
O dia começa na Gare do Oriente, estação de metro, comboio e autocarros (metrô, trem e ônibus) que tem uma arquitetura linda, moderna e muito leve.
De lá, visitamos rapidamente o Shopping e depois fomos para o Oceanário, que é simplesmente fascinante. Ele se divide em vários ambientes, representando vários ecossistemas. O destaque é o imenso tanque central, com muitos tipos de peixe, inclusive vários tipos de cardume, arraias, tubarões...
Além desse tanque, há vários outros com animais do oceano índico, da antártica, e algumas espécies exóticas, como o incrível peixe dragão, que ninguém sabe se é peixe ou uma alga. Além de mostrar o fundo do mar, os tanques também mostram ambientes costeiros, e por isso no aquário há lontras, pinguins e um monte de aves marinhas.
Oceanário de Lisboa
Tubarão do Tanque Central
Arria gigante, tanque central
Pinguins
Aves Marinhas
A Lontra
Corais do oceano índico
Atum
Sapinhos - para você mamis :)
Peixe Dragão
Peixe Palhaço na anêmona
Aquário do Oceano Índico
No oceanário tivemos oportunidadede ver de novo esse vídeo lindo (infelizmente, não achamos uma versão com legendas), com o Carl Sagan falando sobre a insignificância da Terra, pontinho azul e pálido nos confins do universo, mas que é tudo que temos e onde compartilhamos um destino comum, foi muito comovente...
O passeio continuou de teleférico até o outro lado do parque, próximo aos jardins e ao chamado Caminho do Tejo, uma passarela que margeia o rio em direção à ponte Vasco da Gama, a ponte mais longa da Europa com 17Km (só não sabemos direito o que tem do outro lado da ponte =D).
Pablo no teleférico
A ponte Vasco da Gama, que se estende por 17km
Depois de uma bela caminhada, retornamos no teleférico e fomos visitar o Pavilhão do Conhecimento, um Museu de Ciências, com um monte de coisas legais... O museu é meio para criança, estava apresentando uma exposição sobre sexualidade e outras coisas direcionadas às muitas criancinhas que passavam correndo e berrando para lá e para cá. A gente não correu nem berrou mas virou criança fazendo mil experimentos sobre percepção, ondas, sistemas complexos e um bocado de coisa divertidas... Espero que a gente continue com essa alegria de criança enquanto estiver por aqui.
Depois de um dia puxado de trabalho, fomos assistir um concerto no Centro Cultural Belém. O CCB é um complexo enorme, moderno e muito bonito com museus, teatros, salas de música e algumas lojas com arte e outras coisas lindas, além de livrarias, cafés e restaurantes.
O centro fica bem ao lado do Mosteiro dos Jerónimos e na frente do Pavilhão do descobrimentos.
No programa, as Vésperas de Rachmaninov, que é uma peça só para vozes, executada pelo Coro da Letônia.
Nós gostamos demais de canto coral e as peças realmente valiam a pena. Foi uma noite muito bonita.